
A crise está no pé da presidente Dilma, sua teimosia em não mexer na posição do ministro Antonio Palocci foi pior que no caso Erenice e seus comparasas; e vai ter um preço. É claro, na que algum fato novo que deixou Dilma Rousseff sem outra alternativa e teve que seder, será que este fato novo se chama PMDB. O ex-chefe da Casa Civil não é ministro para ser detonado com seis meses de governo, por isso Dilma bancou sua permanência sozinha. Mas ninguém no PT era capaz de especular sobre o futuro de Palocci; que estava manco e sem bengala, por causa de sua inexplicável evolução patrimonial.
Este é o fato. Já a coordenação política do governo fracassou por uma combinação de arrogância, nervosismo eleitoral e incompetência de todos os seus integrantes, pricipalmente Luiz Sérgio que acabou indo pescar sabe-se lá onde.
O mapa da votação do Código Florestal foi complexo e requer uma análise cuidadosa por parte do governo. Mas é certo que a situação de Palocci escancarou uma janela para demandas e interesses há muito reprimidos pelo PT, que mais dia menos dia começariam se manifestar no plenário e nos gabinetes do Congresso Nacional.
O que me impressiona é ter acontecido com o Código Florestal uma votação que o Palácio do Planalto sabia que iria perder, três semanas antes e ninguém articulou nada. Não foi por outro motivo que os líderes governistas, (des) orientados pela Casa Civil, pediram o adiamento da votação, semanas antes. Estavam certos, pelo menos nisso, debandar, o navio esta afundando.
O governo teve tempo para fazer uma retirada organizada, antes de perder a iniciativa política por conta das suspeitas levantadas sobre a origem do enriquecimento rápido de Antonio Palocci.
Culpar agora o PMDB não é uma boa política, culpar e apontar para o outro não é um bom negócio, nunca foi e nunca será. Os pemedebistas não fizeram nada escondido, não traíram - não quer dizer que não vão trair - e se a presidente da República e seu ex-ministro da Casa Civil não conversaram com o PMDB, o maior da aliança governista, foi porque não quiseram, foram prepotêntes e articularam muito pouco.
Dilma, ao contrário, preferiu ameaçar com a demissão dos ministros pemedebistas para apoiarem apermanência do ex-ministro da Casa Civil e recebeu um desconcertante não do partido de Michel Temer.
Palocci foi um mensageiro que tinha o poder de desarmar o petardo antes que ele explodisse no colo de Dilma e não o fez por que não quiz. Chamar o irmão mais velho para resolver a parada revelou o tamanho da paralisia política do atual governo Dilma.
Aparentemente, o Palácio do Planalto não acompanhou devidamente as sucessivas manifestações de unidade que o PMDB deu em votações recentes como a do projeto de reajuste do salário mínimo e aquela contrária à convocação para o ministro Palocci explicar no Congresso como seu patrimônio aumentou 20 vezes em quatro anos.
A boa avaliação de Dilma, ao fim dos 100 primeiros dias de governo, parecem ter feito mal ao governo, de acordo com juizo do PT. Em vez de aproveitar o bom momento para tomar a iniciativa, apresentar medidas e consolidar posições, Dilma "se trancou", para usar a expressão empregada entre líderes do Congresso. Ela e Palocci. A popularidade recorde da presidente Dilma daria fôlego para o governo se manter ao largo das pressões grandes e miúdas por um bom tempo. Não deu e o Planalto agora corre para retomar o controle.
Segundo pesquisa Datafolha, ao fim dos três primeiros meses de governo Dilma contava com a aprovação de 47% dos brasileiros, uma singularidade entre os presidentes eleitos desde a redemocratização: em junho de 1990, Fernando Collor, que tomara posse em março, era considerado bom ou ótimo por 36% dos entrevistados; com três meses de mandato, Fernando Henrique Cardoso marcou 39%, enquanto Lula - presidente que bateria todos os recordes de popularidade ao final de seu governo - teve 43% de bom e ótimo.
Os mais "compreensivos", dizem que Palocci ficou sobrecarregado de coisas "pequenas, médias e grandes". Acuando Palocci, paralisamos o governo .
Há outros enfoques sobre a clausura de Palocci. Entre dirigentes petistas afirma-se que é um distanciamento seletivo, pois na prática o ministro da Casa Civil tratava de ganhar posições dentro do partido, beneficiando aliados e potenciais correligionários. O chefe da Casa Civil de um governo de sucesso nunca deve ser desprezado como possível candidato de seu partido a presidente, como Palocci aliás esperava ser na sucessão do ex-presidente Lula da Silva, em 2010.
A força da disputa interna do PT não deve ser ignorada na crise e em sua solução. Ela é maior do que expõem seus dirigentes, como comprova a decisão de não realizar uma nova eleição para a sucessão do ex-presidente do partido, José Eduardo Dutra, que renunciou ao cargo no mês de abril. O PT preferiu empurrar o problema com a barriga a desencadear uma guerra companheira, fratricida e com muitas baixas.
As eleições municipais de 2012 se tornaram uma equação complicada para o governo e na base aliada, mas especialmente no PT. A maioria dos 63 votos contrários ao relatório básico do Código Florestal teve origem petista. O fantasma do desempenho eleitoral de Marina Silva nas capitais e grandes cidades na eleição presidencial de 2010. O PT tem o objetivo de retomar a prefeitura de São Paulo, e considera indispensável recuperar o voto perdido na classe média.
No Rio de Janeiro, podemos assistir um acordo feito por Lula,mas que na prática não deverá chegar até a página três com Cabral.
Em resumo, a atuação do governo e de seu ex-ministro da Casa Civil, durante a discussão e votação do Código Florestal, serviu para agregar a maioria do plenário da Câmara contra o governo, jogar a derrota no colo de Dilma Rousseff e dar um discurso a uma oposição que mal conseguia se organizar, visto as próprias dificuldades.
Um desastre em se tratando de articulação política, alguém vai pagar essa conta.
Carlos Mega
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