Fé é vida. Os ensinamentos de Jesus são realidade. O cristão por ação, por consciência, por conveniência ou omissão sempre age politicamente. Todo ser humano é um político atuante ou não.
No Brasil, no mundo capitalista ou socialista, todo homem e toda mulher, com razoável senso de realidade, são seres político-sociais. E, num tempo de crise e de mudanças religiosas, econômicas, sociais, políticas e culturais — como este do século XXI —, aumentam as responsabilidades de todas as pessoas, principalmente dos cristãos comprometidos com sua fé e engajamento social e evangelística.
O cristão comprometido com a vida do povo sabe, sente e compreende o que significa a fé para a luta pela libertação. Salvação e libertação de toda e qualquer opressão, dominação e exploração humana, seja em qualquer tipo de regime político.
Muita gente ainda tenta separar a fé da política, a vida da realidade. No entanto, é preciso conscientizar que política é arte da busca e da realização do bem estar comum em favorecimento comunitário.
Política é ação de homens e mulheres na realidade onde estão inseridos, trabalham, moram, participam, agem e celebram a vida. Assim, a fé e a política estão nas comunidades, nas associações, nos grupos, nos sindicatos, nas igrejas, nos partidos políticos, na sociedade e no Estado.
Agora, há política e politicagem. O cristão deve se politizar para compreender e discernir entre o joio e o trigo.
A política verdadeira é toda atividade e participação humana na sociedade. Desta maneira, a política desenvolve ações que beneficiam o povo, grupos, a sociedade; sempre a coletividade.
Por outro lado, a politicagem é o uso da política para o favoprecimento próprio e de pequenos grupos.
Há politicagem na saúde (usam a doença para obter o voto/assistencialismo), na educação (produzem milhões de analfabetos e ignorantes), na habitação (protegem a especulação imobiliária e jogam o povo nas favelas, sempre reprimidas), na administração pública (com corrupção, fraudes e sonegação fiscal e orçamentos manipulados) e por ai vai ....
É por esses motivos e por muitos outros que muitos cristãos dizem por ai que não gostam de política, mas continuam votando, escolhendo os mesmos políticos conservadores. Têm medo de mudar e gerar responsabilidade em suas esferas.
Política acontece na igreja, na comunidade, no sindicato, no partido, no grêmio, na mídia, no judiciário, no executivo, no legislativo e entre nações.
Será que nós cristãos estamos contribuído para deixar a marca cristã libertadora? E possível mudar o Brasil com ou sem a nossa presença? Quem constrói hoje o Reino de Deus? Onde nossa fé se mistura com a realidade socialmente dramática para 32 milhões de famintos, 20 milhões de sem-teto, 30 milhões de analfabetos (até os analfabetos políticos), 35 milhões de crianças e jovens carentes e sabe lá Deus quantos desempregados, migrantes, violentados, doentes e tantos sem eira e sem beira, sem vez e vem voz neste Brasil rico de povo pobre.
Será que nossa fé é existencial, é histórica, é engajada? Será que é revelação de Deus no processo de nossa caminhada política e social? É preciso buscar sempre o encontro entre a fé e a política, a teoria e a prática, com seus diferentes níveis, instâncias e naturezas próprias. Para nós cristãos, a fé perpassa a história na passagem/páscoa da vida para sempre, rompendo tempo e espaço.
Para realizar o Projeto de Deus, temos que necessariamente construir uma sociedade de homns e mulheres mais justa, ética, responsável, transparente, humana, caridosa, carismática, compromissada e acolhedora. Fazer uma nova terra, um mundo mais justo e mais fraterno, como anunciou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A fé e a política são alimentados pela esperança sempre renovada de felicidade. Para isso, é preciso que os cristãos vejam com olhos bem abertos, julguem e avaliem com conhecimento, com métodos, com criticas construtivas e depois ajam, engajem de maneira consciente e organizada para mudar esta dolorida realidade social brasileira, imediatamente.
A nossa fé precisa capacitar-se para criticar, avaliar, comparar e intervir na realidade á luz dos ensinamentos de Deus, fazendo uma política com ética, compromisso, reforma, transformação e realização de justiça social. Fé e política para o cristão devem ser instrumentos e mediações que ajudem todos a romper as ambiguidades, os medos, as contradições das pessoas e da sociedade, das instituições públicas e privadas. A fé e a política devem ajudar os cristãos a decidir, optar e assumir os compromissos que nos são dados viver e transformar, historicamente.
A política abre para os cristãos a possibilidade de participação densa e efetiva na caminhada do povo, principalmente dos pobres, apartados de tudo e ás vezes até de Deus. Nossa fé e nossa política se encontram muitas vezes numa prática de comunhão e participação para as mudanças desejadas e esperadas pelos marginalizados e excluídos deste sistema capitalista selvagem, voraz, concentrador de privilégios, poderes e riquezas nas mãos de poucos egoístas.
A fé verdadeira é aquela que produz frutos: ética na política, ação de cidadania, educação para todos, saúde, moradia digna, alimentação, transporte e segurança. Uma fé que realiza alegria de viver para todos os brasileiros, já.
Os cristãos não querem uma vida fora do mundo concreto, fora dos fatos sociais. Os cristãos querem o céu na terra e a terra no céu, sempre. Nada é separado, tudo é integrado no plano de Deus, neste planeta azul maravilhoso, de natureza deslumbrante, mas que, se não olharmos com atenção, poderá destruir tudo com a ambição de um falso progresso que acaba com cerrados, florestas, rios, animais e o próprio ser humano. A graça nos dá fé como gratuidade de Deus, não cobramos pela nossa participação política, senão a luta pela promoção do bem comum, ambiental, tecnológico, social e político, cultural e econômico.
O cristão deve ser fermento, sal, caminho e luz. Deve lutar pelos princípios básicos da mensagem evangélica, como defesa da ética, da vida, da família, da democracia, da participação social e da liberdade, assumindo responsabilidade social e política.
Queremos e desejamos comunhão e participação na política, na economia, na sociedade e no Estado, que deve estar a serviço do povo (família, sociedade e pessoas). Reunir é importante. Nós temos a grande responsabilidade de reunir, refletir e agir evangelicamente como atores da política brasileira, lutando pelos direitos do povo.
Nossa ação deve ser sempre sinal de mudanças para melhorar a vida da família e da sociedade num todo. Nossa estrada é longa. Poderemos iniciar numa busca constante por justiça e bem estar social. Nossa decisão deve ser embasada na cidadania e dos direitos humanos, de uma globalização solidária, integrada, sustentada, ecológica, produtiva e representativa dos interesses e necessidades da maioria do povo.
A opinião é unânime a respeito dos desastrosos efeitos da globalização neoliberal, de Soros a BilI Gates, os cones do capitalismo mundial, de um canto a outro do planeta. Todos reconhecem e nós temos a convicção de que a globalização e projetos isolados do governo federal, podem destróir irrefutavelmente o elo familiar entre irmãos. E uma afronta ao mandamento universal de Jesus Cristo, que nos ensina a amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas. Hoje, esses projetos como o PNDH 3, tem construído outros deuses, outros referenciais e tem usado a força da ganância financeira para aumentar o fosso entre ricos e pobres.
É preciso resgatar, inspirado na mensagem do evangelho, o ser humano na sua totalidade. Nesse sentido, a participação do cristão na política tem que ser para garantir a realização de um mundo mais justo e mais fraterno.
Construir instrumentos capazes de proporcionar uma verdadeira inclusão social a todos os homens e mulheres das cidades e dos campos, sem distinção de raça, cor, credo, origens sociais e geográficas. É preciso fazer da política um espaço de participação social, onde as pessoas possam colocar de forma transparente as demandas de seu bairro e de sua cidade. Portanto, a política, como arte de fazer o bem comum, tem que estar orientada á construção de um mundo de paz, igualdade, prosperidade, cidadania e justiça social. Outro mundo é possível. A história contínua.
É preciso termos ação política firme e forte no cotidiano das pessoas, com propostas, projetos, planos, leis, regulamentos, orçamentos, que devem estar a serviço da maioria do povo, principalmente, para os excluídos e marginalizados. Todos somos filhos de Deus. Todos merecem nossa atenção, ainda mais os necessitados.
Em Nova Iguaçú, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Campinas, Santo André, Poços de Caldas, Recife, São Paulo, de norte a sul, todos devemos ser sinais do compromisso histórico com a mensagem evangélica libertadora.
Devemos estar atentos às exigências que a realidade social faz a todos nós, representantes do povo — políticos do povo? Caminhar sempre na busca da esperança da construção de um mundo melhor. Estaremos conscientes, organizados e capacitados para realizar ações políticas positivas na direção de Deus, aqui e para sempre? Eis os desafios presentes em nossas caminhadas evangelicamente libertadoras.
Somos assim chamados, vocacionados para atuar na política e na construção do bem comum para todos os brasileiros. Isto é possível, se todos os políticos realmente forem comprometidos com a realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Participar, ser sujeito, ser ator e atriz da história que Jesus Cristo libertou para sempre com sua páscoa/passagem verdadeiramente nova, para uma vida digna de ser vivida, plena de direitos humanos, de justiça, de deveres, de ética, de trabalho, de comunhão e de participação social e política na comunidade/sociedade moderna.
Eu creio, que possamos sim, ser homens e mulheres protagonistas, politicamente presentes e atuantes, nesta nova história que nos é dada viver, ver, ter, crer, construir, trabalhar, orar, celebrar, transformar e agir para realização e construção do Projeto de Deus.
Carlos Mega - caemega@gmail.com
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